terça-feira, 25 de setembro de 2012

Num só percurso

Aquela sensação de que estamos a criar uma história sobre cada pessoa que observamos.
Numa carruagem onde pessoas entram e saiem, onde umas têm um percurso longo, outras curto.
Todas as diferentes etnias, línguas culturas, que existem num lugar tão aberto como fechado.
Os intelectuais que carregam consigo um livro de 700 págs...
Será a história desse livro interessante? Sobre o que será? Pois bem, eu não sei, mas se pergutarem ao passageiro que se encontra do lado dele e que está com um ar de empenho enorme ao tentar ler sorraiteramente.
No meio de tanto interesse pela literatura encontram-se também aqueles que de nada querem saber e adormecem. Pela forma como dormem só pode ser cansaço.
É que nem com a música que o jovem esta a ouvir o acorda; jovem este que talvez queira dar a conhecer ao Mundo o tipo de música que ouve ou entao tenciona ficar com problemas de audição, contudo há algo nele interessante, a forma como ele se move, vai surgir daí um artista.
Encontramos também o casal de amigos, são estranhos não olham um para o outro, mas sorriem, será isso timidez? Será que isso involve outro sentimento?
E as crianças que acham piada aos varões que aqui estão no metro e ficam aos pulos?! Ai se eles soubessem...
Surge também aquela vontade de ires falar com aquela pessoa que olha o vazio e provavelmente está a pensar nos problemas que tem.
Por fim, o mais irritante!
O grupo de miúdos que saiu agora do college e vêm todos com o uniforme, tão novos e com tanta pouca vergonha, as raparigas gritam, dão nas vistas, têm imensa maquilhagem, e os rapazes, tem todos aquele chapéu que eles guardam na mochila, (sim, na escola não podem usar, portanto, assim que saiem dos arredores da escola, usam-no).
Uma viagem no metro, que não precisa de durar imenso toda para haver a possibilidade de caracterizar cada coisa ao redor.
Vanessa Chumbinho

Relações mal interpretadas

Não sei quem sou, nem de onde venho, sei o que quero e o que não quero, mas não percebo todos os sentimentos que por aqui andam.
Fugir, deixar tudo o qe tenho entre os dedos fluir.
Sentir as lágrimas que escorrem pela cara.
Tomar a decisão e saber equilibrar entre a cabeça e o coração.
Aquela luz brilhante está-se a apagar pouco a pouco, os joelhos começam a fracassar, a cabeça a pesar e o corpo a vadiar.
Como se de nada, nem de ninguém pertencesse.
Da expressão enublada, vem a força acabada.
O bom e o mau, o cheio e o vazio.
Pessoas ao redor, sentimentos escondidos, evitando deixar entrar o amor.
Não conheceres o meu "eu", sendo eu a adapar-me a tudo assim do nada.
Mudando as minhas reacções, tentado ser uma pessoa melhor.
Tudo em vão.
Toda a segurança, foi tudo vago.
Ficando mais uma vez com a leve esperança, que vai correr bem, que não precisar de ninguém.
Fecho-me em mim mesma,
Desabafo com as folhas e sigo os conselhos da música.
Distante assim fico, penetrante e fiel aos meus sonhos.
Seguindo atrás de uma felicidade dividida e incompleta.
Tudo é possível, quando se quer, frase essa mais utilizada, e houve mais uma tentativa falhada.
Encontrar a saída é mais difícil do que parece.
Quando desistir será de vez e não voltarei atrás.
Houve um dia que juntas acreditamos mover montanhas e aqui estou eu refugiada a mover montanhas sozinha.
Palavras, ditas, que por mim foram sentidas ...

Vanessa Chumbinho